Allbirds abandona calçados e vira NewBird AI: a surpreendente virada para GPU-as-a-Service
negocios16 de abril de 20267 min de leitura0

Allbirds abandona calçados e vira NewBird AI: a surpreendente virada para GPU-as-a-Service

Allbirds abandona calçados e vira NewBird AI: de gigante de US$ 4 bi em tênis para provedora de GPU-as-a-Service. O que muda no mercado de IA.

R

RADARDEIA

Redação

#GPU-as-a-Service#NewBird AI#Allbirds#NVIDIA H100#Bloomberg Intelligence#IA empresarial#Hyperscalers#OpenAI#API de IA#Tecnología LATAM#Cloud computing#Machine learning

A virada radical da Allbirds: de gigante de vestuário para fornecedor de infraestrutura de IA

Em um movimento que reconfigura os limites entre moda sustentável e tecnologia de ponta, a Allbirds — empresa estadounidense de calçados que um dia alcançou valuation de US$ 4 bilhões — anunciou nesta semana sua transformação completa em NewBird AI, uma provedora de GPU-as-a-Service focada em compute para inteligência artificial. A decisão, comunicada em carta aos acionistas, marca o fim de uma era para a marca que popularizou o tênis de lã merino e sinaliza a capitulação total do setor de vestuário frente ao boom da IA generativa.

A trajetória da Allbirds serve comotermômetro do momento atual. Fundada em 2015 por Tim Brown e Joachim Zwanziger, a empresa entrou na bolsa (NASDAQ) em novembro de 2021 precificando suas ações a US$ 21 cada — valor que representava um múltiplo de 30x a receita anual. Menos de dois anos depois, em 2023, as ações desabaram para menos de US$ 1, e a empresa acumulava 17 trimestres consecutivos de queda de receita comparada ao período anterior. O pivô para IA representa, nas palavras do CEO interinoa Erik Sollenberg, "a única via para preservar valor aos acionistas em um mercado onde a demanda por compute de IA supera em muito qualquer tendência de consumo sustentável".

"Não fazia mais sentido competir por dólares de vestuário quando cada empresa de tecnologia do mundo está lutando por acesso a GPUs. Decidimos jogar onde a demanda é insaciável."
— Erik Sollenberg, CEO interinho, NewBird AI


Como funcionará a NewBird AI: arquitetura e proposta de valor

A NewBird AI planeja operar como uma camada intermediária no mercado de infraestrutura de IA — posicionando-se entre os hyperscalers tradicionais (AWS, Google Cloud, Azure) e empresas que precisam de compute sem os custos de longo prazo de contratos com esses provedores. O modelo de GPU-as-a-Service permite que clientes acessem poder computacional sob demanda, pagando por uso em vez de investir em hardware próprio.

Segundo fontes familiarizadas com o plano, a empresa pretende adquirir e operar clusters de GPUs de última geração, priorizando:

  • NVIDIA H100 (o chip mais procurado para treinamento de modelos de linguagem)
  • NVIDIA H200 (versão com memória ampliada, otimizada para inferência)
  • AMD MI300X como alternativa de custo-benefício

A estratégia inclui:

  1. Aquisição de data centers subutilizados em mercados com custos energéticos competitivos (Texas, Virginia, Irlanda)
  2. Parcerias com fabricantes de chips para garantir alocação preferencial de GPUs
  3. Desenvolvimento de uma API proprietária para orquestração de workloads de IA
  4. Foco inicial em clientes enterprise de médio porte que precisam de flexibilidade

O mercado de GPU-as-a-Service deve alcançar US$ 350 bilhões até 2030, segundo projeções da Bloomberg Intelligence — um salto brutal frente aos US$ 45 bilhões de 2023. A NewBird AI mira capturar uma fatia inicial de 2-3% desse mercado nos primeiros três anos, o que representaria uma receita potencial de US$ 7 a 10 bilhões.


Impacto no mercado: implicações globais e relevância para a América Latina

A transformação da Allbirds não é um caso isolado — é sintoma de uma reconfiguração mais ampla da economia global. Desde 2023, empresas de setores os mais diversos anunciaram pivôs para IA:

  • Best Buy explorou (e abandonou) oferta de serviços de compute
  • Snap redirecionou recursos para infraestrutura de AR/VR com foco em modelos de visão
  • Kroger fechou parceria com Microsoft para serviços de IA em retail

O que diferencia a NewBird AI é a escala da mudança: não se trata de adicionar IA a um negócio existente, mas abandonar completamente o modelo anterior. Essa decisão envia um sinal claro ao mercado: a infraestrutura de IA se tornou o ativo mais valioso da economia digital, mais valioso que marcas de consumo, canais de distribuição ou propriedade intelectual.

Por que isso importa para a América Latina

O mercado latino-americano de IA empresa está em expansão acelerada. Dados do relatório IDB-Microsoft 2024 indicam que:

  • 67% das empresas brasileiras estão implementando ou avaliando soluções de IA generativa
  • O mercado de cloud computing na região atingiu US$ 17 bilhões em 2024, com crescimento anual de 28%
  • A escassez de infraestrutura de compute na região cria gargalos para startups locais

A NewBird AI indicou que considera a América Latina como mercado secundário estratégico. Executives da empresa teriam iniciado conversas preliminares com:

  • Operadoras de telecomunicações (CLARO, TIM, Movistar) para parcerias de edge computing
  • Hospitais e sistemas de saúde interessados em inferência de modelos médicos
  • Fintechs que precisam de processamento de linguagem natural em escala

"A região tem uma janela curta para construir soberania em IA. Se uma empresa como a NewBird AI trouxer compute competitivo, muitas startups locais que hoje dependem de OpenAI ou Google poderão optar por infraestrutura mais próxima."
— Renata Vicente, pesquisadora do Cetic.br/NIC.br


O que esperar: riscos, oportunidades e próximos passos

O caminho da NewBird AI está longe de ser simples. A empresa enfrentará desafios significativos:

Principais riscos

  • Concorrência com hyperscalers: AWS, Google e Microsoft gastam coletivamente mais de US$ 100 bilhões por ano em data centers. A NewBird AI precisaria de capital enorme para se tornar relevante.
  • Escassez persistente de GPUs: A NVIDIA tem demanda agregada de seus clientes muito acima da capacidade de produção. Sem alocação garantida, o modelo de negócio pode fracassar antes de começar.
  • Diferenciação técnica: O que impede AWS ou Google de oferecer o mesmo serviço de forma mais barata e integrada?
  • Liquidez e funding: A empresa provavelmente precisará de uma rodada de fundraising significativa. Em ambiente de juros altos, captar recursos para infraestrutura é desafiador.

Oportunidades

  • Preços flexíveis: Enquanto hyperscalers cobram margens de 60-70% em GPU-as-a-Service, a NewBird AI pode concorrer com margens menores e volumes maiores
  • Latência reduzida para LATAM: Data centers nos EUA com presença estratégica podem servir clientes latino-americanos com menos latência que provedores asiáticos
  • Nicho de SMEs: Empresas menores, que não qualificam para contratos enterprise da AWS, podem encontrar na NewBird AI uma porta de entrada acessível

Os próximos 12 meses serão determinantes. A NewBird AI deve anunciar:

  1. Parcerias formalizadas com fabricantes de chips (provavelmente NVIDIA)
  2. Localização dos primeiros data centers operacionais
  3. Contratos de cliente âncora (enterprise ou governo)
  4. Detalhes do modelo de pricing e estrutura de tiers

A transformação da Allbirds em NewBird AI representa mais que uma pivô corporativa — é um marco na história da economia digital. Quando uma empresa de US$ 4 bilhões em vestuário decide abandonar completamente seu core business para competir no mercado de infraestrutura de IA, o recado ao mundo corporativo é inequívoco: a inteligência artificial não é mais uma tendência — é a infraestrutura sobre a qual todas as outras tendências serão construídas.

A questão que permanece: a NewBird AI consegue transformar uma marca de tênis em sinônimo de compute? Se a história do mercado de tecnologia ensina algo, é que as maiores oportunidades frequentemente emergem dos cenários mais improváveis.

Leia também

Aulas de IA

Aprenda IA aplicada

Domine as ferramentas de IA com cursos práticos em português.

Ver cursos

Fonte: Wired

Gostou deste artigo?

Artigos Relacionados