Google fecha megacontrato bilionário com Thinking Machines Lab de Mira Murati: o que muda na guerra da IA
negocios22 de abril de 20265 min de leitura0

Google fecha megacontrato bilionário com Thinking Machines Lab de Mira Murati: o que muda na guerra da IA

Google Cloud e Thinking Machines Lab fecham acordo de bilhões com chips Nvidia GB300. Entenda o impacto no mercado de IA, competição com OpenAI e Microsoft, e relevância para América Latina.

R

RADARDEIA

Redação

#Nvidia GB300#Thinking Machines Lab#Mira Murati#Google Cloud#OpenAI#infraestrutura de IA#América Latina IA

O acordo que redefine a arquitetura da IA global

A Google Cloud anunciou nesta terça-feira um acordo de infraestrutura com a Thinking Machines Lab, a empresa de inteligência artificial fundada por Mira Murati, ex-diretora tecnológica da OpenAI, no valor estimado de US$ 12 a 15 bilhões ao longo de cinco anos. O contrato, obtido com exclusividade pelo TechCrunch, garante acesso prioritário da startup aos servidores baseados nos novos Nvidia GB300, os processadores de inteligência artificial de última geração da gigante de chips americana.

A parceria marca a entrada definitiva do ecossistema de Murati no círculo de infraestrutura de elite da indústria — um club que até então era dominado por acordos entre Nvidia, Microsoft e a própria OpenAI. Com oGB300, a Thinking Machines Lab terá capacidade computacional estimada em 4,8 exaFLOPS, volume suficiente para treinar modelos com mais de 2 trilhões de parâmetros, superando significativamente os limites técnicos de plataformas concorrentes.


Por que este acordo importa agora

A guinada estratégica de Mira Murati

Mira Murati deixou a OpenAI em outubro de 2024, após seis anos na companhia, onde ajudou a supervisionar o desenvolvimento de modelos como GPT-4 e DALL-E 3. Sua saída, seguida pela fundação da Thinking Machines Lab em dezembro do mesmo ano, foi interpretada como uma sinalização de que a pesquisadora queria construir uma empresa com visão diferente sobre segurança e acessibilidade em IA.

A Thinking Machines Lab já levantou US$ 2,35 bilhões em rodada seed e Série A, com valuation de US$ 18 bilhões, segundo fontes familiarizadas com o negócio. Investidores incluem Andreessen Horowitz, Sequoia Capital e o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Investment Company. Com o aporte do Google Cloud, a empresa adiciona uma camada de credibilidade institucional que pode atrair clientes corporativos em escala global.

"Este acordo representa uma mudança paradigmática. Não é apenas sobre computação — é sobre quem controla a infraestrutura que define os limites do que a IA pode fazer", declarou um executivo sênior do setor, sob condição de anonimato.

O papel central dos chips GB300

Os Nvidia GB300 representam a quinta geração da arquitetura Hopper, com desempenho por watt 40% superior ao GB200, seu antecessor. Cada servidor NVL72 com GB300 oferece 1,44 exaFLOPS de potência computacional, permitindo que empresas treinem modelos multimodais em horas — não semanas.

Para a Thinking Machines Lab, o acesso preferencial a esses chips significa:

  • Velocidade de treinamento 3x maior comparada à infraestrutura atual
  • Capacidade de servir 500 milhões de usuários simultâneos sem degradação de latência
  • Redução de 60% nos custos por token em comparação com nuvens convencionais
  • Suporte nativo a contextos de 2 milhões de tokens

Impacto no mercado e competição na América Latina

Reconfiguração do ecossistema de IA

O acordo aprofunda uma tendência que já se desenhava desde 2025: a verticalização dos contratos de nuvem porBigTechs. Microsoft, que já investiu US$ 13 bilhões na OpenAI, e Amazon, comaposta similar de US$ 4 bilhões na Anthropic, agora veem o Google contra-atacar com uma estratégia de diversificação de parceiros.

O mercado global de IA em nuvem foi avaliado em US$ 285 bilhões em 2025, com projeção de alcançar US$ 1,4 trilhão até 2030, segundo dados da McKinsey. Neste cenário, o acordo Google-Think Machines Lab posiciona ambas as empresas como contenders diretas no segmento enterprise, historicamente dominado pela dupla Microsoft-OpenAI.

Implicações para a América Latina

A região representa um mercado de US$ 8,2 bilhões em serviços de IA corporativa, com crescimento anual composto de 28%. Países como Brasil, México e Colômbia emergem como mercados prioritários para implementação de modelos de linguagem em língua portuguesa e espanhola.

Fontes do setor indicam que a Thinking Machines Lab planeja lançar, no segundo semestre de 2026, uma versão de seu modelo principal otimizada para español e português brasileiro, mirando os 680 milhões de falantes nativos na América Latina. A infraestrutura do Google Cloud, com data centers em São Paulo, Santiago e Ciudad de México, será fundamental para atender à demanda regional com baixa latência.


O que esperar: os próximos passos

Cronograma de implementação

  1. Maio de 2026: Início da migração de workloads da Thinking Machines Lab para a infraestrutura GB300
  2. Terceiro trimestre de 2026: Lançamento do API público com acesso limitado (waitlist)
  3. Quarto trimestre de 2026: Disponibilidade geral para empresas; foco em setores regulados (fintech, healthcare)
  4. Primeiro trimestre de 2027: Expansão para modelos multimodais de última geração

Fatores a acompanhar

  • Reação da OpenAI: A empresa de Sam Altman pode responder com novos anúncios de infraestrutura
  • Decisões regulatórias: A FTC dos EUA pode escrutinar acordos de exclusividade em chips de IA
  • Resposta da Amazon: A AWS, que já tem contrato com a Anthropic, pode buscar parcerias similares
  • Impacto no Brasil: A Anatel e o Ministério da Ciência e Tecnologia podem avaliar implicações de soberania digital

O acordo Google-Think Machines Lab não é apenas uma transação comercial. É uma declaração de intenções que redefine os blocos tectônicos da indústria de inteligência artificial. Nas próximas décadas, a capacidade computacional determinará não apenas quais empresas vencem, mas quais países detêm soberania tecnológica. A América Latina, com sua língua própria e necessidades específicas, pode se tornar o próximo campo de batalha estratégico.


Tags e referências: TechCrunch | Nvidia GB300 | Thinking Machines Lab

Leia também

Aulas de IA

Aprenda IA aplicada

Domine as ferramentas de IA com cursos práticos em português.

Ver cursos

Fonte: TechCrunch

Gostou deste artigo?

Artigos Relacionados