IA musical em 2024: como Lyria, Suno e Udio estão transformando a criação de música
imagem-video12 de abril de 20265 min de leitura0

IA musical em 2024: como Lyria, Suno e Udio estão transformando a criação de música

Comparativo entre Lyria, Suno e Udio: como as IAs musicais do Google, e das startups Suno e Udio estão revolucionando a produção musical.

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RADARDEIA

Redação

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A revolução silenciosa da inteligência artificial na música

Em menos de 18 meses, três plataformas de inteligência artificial generativaLyria (Google), Suno e Udio — redesenharam os limites entre criatividade humana e computacional no setor musical. O mercado global de IA para música, avaliado em US$ 1,4 bilhões em 2023, deve alcançar US$ 8,7 bilhões até 2030, segundo projeções da Grand View Research. Este não é um fenómeno futuro: é uma realidade que já está a redefinir como faixas são compostas, gravadas e distribuídas em toda a América Latina.

A diferença entre as gerações anteriores de software musical — como GarageBand ou FL Studio — e estas novas ferramentas é fundamental. Enquanto apps tradicionais funcionavam como instrumentos virtuais que exigiam conhecimento técnico profundo, plataformas como Suno e Udio operam com um paradigma completamente distinto: basta digitar um prompt de texto para que a IA gere uma música completa, incluindo melodia, harmonia, arranjos e, no caso das versões mais recentes, vocais sintéticos cada vez mais realistas.


Como funcionam as três principais plataformas

Google Lyria: a aposta corporativa

O Lyria, desenvolvido pela Google DeepMind e anunciado em novembro de 2023, representa a abordagem mais conservadora entre as três plataformas. Disponível inicialmente através do programa YouTube Dream Track — uma parceria com artistas como Alec Benjamin, Charlie Puth e Tinashe — a Lyria foi projetada para colaboração entre humanos e máquinas, não para substituição.

A estratégia do Google evidencia uma diferença crucial: enquanto Suno e Udio abriram suas ferramentas ao público geral, a gigante californiana optou por parcerias diretas com gravadoras e editores musicais. A Lyria funciona através de APIs corporativas e está integrada ao ecossistema Google Cloud, o que permite que estúdios e produtoras experimentem a tecnologia sem exposição pública.

«A Lyria não é um produto para consumidores. É uma infraestrutura para a indústria musical», explicou o CEO da DeepMind, Demis Hassabis, durante a Google I/O 2024.

A empresa enfatiza que todas as músicas geradas carregam metadados C2PA (Coalition for Content Provenance and Authenticity), uma iniciativa da indústria para rastrear a origem de conteúdo sintético.

Suno: a democratização em escala

O Suno emergiu como o fenómeno de maior crescimento no segmento. Fundada em 2023 por Mikey Shulman, Martin Hwang, Owen Guo e Keenan Freyberg — todos ex-funcionários do Google DeepMind — a startup levantou US$ 125 milhões em uma ronda Series B em maio de 2024, alcançando uma avaliação de US$ 500 milhões.

A plataforma distingue-se pela capacidade de gerar músicas completas de até quatro minutos a partir de prompts em linguagem natural. Utilizadores podem especificar género, humor, instrumentos e até referências a artistas específicos. A versão gratuita oferece 50 créditos diários; os planos pagos variam de US$ 8 a US$ 30 mensais.

Dados internos da empresa, compartilhados com investidores, indicam que a base de utilizadores ativos cresceu de 500 mil em janeiro de 2024 para mais de 10 milhões em agosto. O fenômeno «virais» — músicas geradas por IA que acumulam milhões de visualizações no TikTok e YouTube — contribuíram significativamente para essa expansão orgânica.

Udio: a ameaça emergente

Lançada em beta em abril de 2024 pelo fundador David Ding, ex-pesquisador do Google, a Udio posiciona-se como a alternativa mais recente e ambiciosa. A startup captou US$ 10 milhões em financiamento seed liderado pela a]z16 e Andreessen Horowitz.

A plataforma destaca-se pela qualidade dos vocais sintéticos e pela capacidade de gerar múltiplas variações de uma mesma música, permitindo que produtores explorem diferentes direções artísticas sem custo adicional. Funcionalidades como extensão de faixas existentes e separação de camadas sonoras (vocais, bateria, baixo) tornaram-na particularmente popular entre beatmakers e producers independentes.


Impacto no mercado e implicações para a América Latina

A proliferação de ferramentas de IA musical levanta questões complexas para um mercado latino-americano avaliado em US$ 12,3 bilhões (IFPI, 2024). A região, historicamente dependente de distribuidores e gravadoras internacionais, encontra-se numa posição ambígua: por um lado, a IA reduz barreiras técnicas para produção musical; por outro, os termos de uso das plataformasraise preocupações sobre propriedade intelectual.

O Suno, por exemplo, utiliza obras musicais para treinar seus modelos sob uma licença que muitos músicos profissionais consideram controversa. A ** Recording Industry Association of America (RIAA)** moveu ações judiciais contra a plataforma em junho de 2024, alegando violação massiva de direitos autorais. A decisão do tribunal pode definir precedentes legais que afetarão toda a indústria.

Para criadores independentes na América Latina — onde o streaming representa 67% das receitas musicais (APIF), contra 55% globalmente — a IA musical oferece uma oportunidade sem precedentes de competir com produções de grandes estúdios. Um beatmaker em Recife ou um compositor em Buenos Aires pode agora gerar demos profissionais em minutos, potencialmente acelerando ciclos de produção e democratizando o acesso à indústria.


O que esperar nos próximos 12 meses

A convergência de fatores — investimentos crescentes, melhorias exponenciais na qualidade de síntese vocal e pressões regulatórias — sugiere que 2025 será um ano decisivo. Eis os principais desenvolvimentos a acompanhar:

  1. Decisões judiciais sobre direitos autorais em treinamentos de IA musical
  2. Expansão da Lyria para o mercado de consumo através do Google Gemini
  3. Novas funcionalidades de edição e colaboração em tempo real nas plataformas existentes
  4. Respostas regulatórias na União Europeia e, potencialmente, no Brasil

A música gerada por IA não é mais ficção científica — é infraestrutura. E a forma como a indústria, reguladores e criadores navegarem esta transição determinará se o resultado será uma expansão da criatividade humana ou uma homogeneização algorítmica da arte musical.


Fontes: Canaltech, Grand View Research, IFPI, APIF, PitchBook, declarações públicas das empresas mencionadas.

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Fonte: Canaltech

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