O plano secreto da Tesla para dominar a inteligência artificial
Elon Musk tentou convencer Sam Altman, CEO da OpenAI, a liderar um laboratório de inteligência artificial rival dentro da Tesla em 2017 — meses antes de Musk deixar o conselho da organização que ajudou a fundar. Documentos internos revelados por reporting da Wired mostram que a disputa pelo controle do futuro da IA generativa começou muito antes das tensões públicas entre Musk e Altman, que culminaram na frustrada tentativa de takeover da OpenAI em 2024.
A estratégia, detalhada em mensagens trocadas entre Shivon Zilis — executivos de alto escalão da Tesla eOPENAI —, revelam um plano野心勃勃 para criar um laboratório de IA competir diretamente com o que viria a se tornar uma das empresas mais valiosas do mundo. A recrutação de Altman, ou alternativamente de Demis Hassabis, fundador do Google DeepMind, demonstrou ser uma das últimas cartadas de Musk para manter influência sobre o desenvolvimento da IA que ele próprio ajudou a criar.
As origens do conflito: a fundação da OpenAI
Para compreender a dimensão do que aconteceu em 2017, é necessário voltar a dezembro de 2015, quando Musk e Altman juntaram-se para fundar a OpenAI como uma contraposição ao domínio do Google no campo da inteligência artificial. Na época, Musk warn publicamente sobre os"riscos existenciais" da IA, posicionando a OpenAI como uma alternativa"segura" e"democratizada" às的大型语言模型 proprietárias da big tech.
A parceria, porém, começou a se deteriorar rapidamente. Em 2017, Musk propôs uma restructuring que daria a ele controlemajoritário da OpenAI — uma sugestão rejeitada por Altman e outros membros do conselho. Três meses após essa negociação fracassada, Musk announced que deixaria o conselho da OpenAI, mas manteria seu apoio financeiro.
"Musk queria transformar a OpenAI em uma extensão da Tesla. Quando isso não foi possível, decidiu criar sua própria operação paralela", explicou uma fonte próxima às negociações, que falou sob condição de anonimato.
O plano da Tesla: um laboratório bilionário
Os documentos obtidos pela Wired revelam que a proposta de 2017 ia além de uma simples contratação. A Tesla planejava investir entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em um laboratório de pesquisa de IA, com infraestrutura comparável às melhores universidades e centros de pesquisa do mundo. O objetivo declarado era desarrollar sistemas de condução autônoma de nível 5 e integrar capacidades de IA generativa aos veículos da marca.
Shivon Zilis, que na época ocupava posição estratégica na Tesla e posteriormente se tornou Diretora de Projetos Especiais na OpenAI, enviou mensagens detalhando os planos a executivos da montadora. Os documentos sugerem que:
- O laboratório seria headquartered no Vale do Silício
- Offeria pacotes de compensação que incluíam participações acionárias na Tesla
- Altman receberia função de"AI Chief" com autoridade total sobre pesquisa
- Hassabis era considerado como alternativa de"backup" caso Altman recusasse
A Tesla, naquela época, estava avaliada em aproximadamente US$ 50 bilhões — menos de um décimo de seu valor atual de US$ 800 bilhões. A proposta representava, proporcionalmente, um investimento três vezes maior do que o que a empresa alocava em P&D de IA na época.
Implicações para o mercado de IA em 2024
O fracasso dessas negociações em 2017 criou as condições para o cenário que testemunhamos hoje. A OpenAI, sob liderança de Altman, seguiu independentemente e fechou parcerias estratégicas com a Microsoft, que investiu US$ 13 bilhões na empresa. Em 2024, a OpenAI está avaliada em US$ 157 bilhões, com receitas estimadas em US$ 3,4 bilhões anuais — números que contrastam dramaticamente com as previsões internas da Tesla.
O mercado global de IA generativa, que deve alcançar US$ 1,3 trilhão até 2032 segundo projeções da Bloomberg Intelligence, foi moldado por essa separação. A Tesla, por sua vez, continuou desarrollando suas capacidades de IA internamente através do sistema FSD (Full Self-Driving) e do robô humanoide Optimus, mas nunca conseguiu rivalizar com os modelos de linguagem da OpenAI.
Para a América Latina, essas movimentações têm consequências diretas:
- Parcerias regionais: empresas latino-americanas que dependem de APIs da OpenAI (como GPT-4o e DALL-E 3) enfrentam incertezas sobre pricing e disponibilidade
- Investimentos: fundos de VC latino-americanos reduziram investimentos em startups de IA em 23% no primeiro semestre de 2024, aguardando consolidação do mercado
- Regulação: o avanço da Tesla e da OpenAI intensifica debates sobre políticas de IA no Brasil, México e Argentina
O que esperar: o capítulo final do conflito
A revelação dessas negociações de 2017 adciona contexto crucial ao conflito atual. Em março de 2024, Musk offered to buy 100% das ações da OpenAI por aproximadamente US$ 97,4 bilhões — uma oferta rapidamente rechazada por Altman, que respondeu com um irônico"não, obrigado" no X (antigo Twitter), plataforma que Musk também possui.
Os próximos meses serão determinantes para entender se a disputa entre Musk e Altman representa apenas uma questão pessoal ou uma luta pelo controle de uma tecnologia que está redesenhando a economia global. Três cenários merecem atenção:
- Separação definitiva: Musk consolida sua estratégia de IA independente via xAI (Gro), enquanto a OpenAI continua sua trajetória de startup para corporação
- Novo round de negociações: os valores envolvidos podem levar a uma resolution que beneficie ambas as partes comercialmente
- Intervenção regulatória: dado o tamanho das empresas envolvidas, autoridades de defesa da concorrência nos EUA e na UE podem entrar no circuito
O que é certo é que a batalha pelo futuro da inteligência artificial está longe de terminar — e a América Latina, como spectator e eventual víctima dessas disputas, precisa entender as forças que estão sendo configuradas agora.
Fontes: Wired, Bloomberg Intelligence, Crunchbase, Relatórios anuais da OpenAI




