Saída de David Sacks do governo Trump abala cenário de IA e cripto nos EUA
ferramentas28 de marco de 20266 min de leitura0

Saída de David Sacks do governo Trump abala cenário de IA e cripto nos EUA

Saída de David Sacks da Casa Branca deixa vácuo na política de IA dos EUA. Entenda impacto no mercado cripto e implicações para América Latina.

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RADARDEIA

Redação

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Venture capitalist deixa cargo de conselheiro especial para IA e cripto após menos de um ano no governo

David Sacks, o bilionário do Vale do Silício e investidor de risco que se tornou o principal advogado de Big Tech dentro da Casa Branca, confirmou nesta quinta-feira que não é mais funcionário do governo federal dos Estados Unidos. Com isso, encerra-se oficialmente sua tenure como conselheiro especial do presidente Donald Trump para Inteligência Artificial e Criptomoedas — um cargo que ele ocupou por menos de um ano e que lhe conferiu influência desproporcional sobre a política de IA do país mais poderoso do mundo.

A saída de Sacks representa um ponto de inflexão na estratégia americana para IA, deixando um vácuo de liderança em um momento crítico para a corrida tecnológica global. A China investiu US$ 47,5 bilhões em semicondutores e IA apenas em 2023, enquanto a União Europeia acelerou a implementação do AI Act — o regulamento mais abrangente do mundo para inteligência artificial.


Anatomia de uma nomeação controversa

David Sacks, 52 anos, construiu sua fortuna como fundador da Yammer (vendida à Microsoft por US$ 1,2 bilhão em 2012) e的投资 em empresas como Uber, Coinbase e DoorDash. Em janeiro de 2025, foi nomeado para o recém-criado cargo de conselheiro especial para IA e cripto, uma posição de "funcionário governamental especial" que permitia a ele manter seus investimentos privados — uma decisão que gerou críticas imediatas de especialistas em ética governamental.

O poder por trás da política de IA

Durante sua permanência na Casa Branca, Sacks foi arquitetode iniciativas que moldaram o futuro tecnológico americano:

  • Ordem Executiva de IA: Participou da redação de diretrizes que estabeleceram prioridades federais para desenvolvimento de IA, com foco em liderança americana sobre a China
  • Desregulamentação de cripto: Atuou como intermediário entre reguladores financeiros e a indústria de criptomoedas, defendendo frameworks mais flexíveis
  • NVIDIA e semicondutores: Lutou para expandir as restrições de exportação de chips de IA para a China, beneficiando diretamente empresas como a NVIDIA (que viu sua capitalização de mercado saltar de US$ 300 bilhões para US$ 2,8 trilhões entre 2023 e 2024)
  • OpenAI e Big Tech: Foi peça-chave nas conversas sobre como equilibrar inovação com segurança nacional

"Sacks representou uma guinada significativa na política tecnológica americana. Ele trouxe a mentalidade de investidor de risco — 'move fast, break things' — para o coração da regulamentação federal", explica Maria Chen, professora de política tecnológica na Stanford University.


Impacto no mercado e implicações para América Latina

A confirmação da saída de Sacks gerou ondas no mercado de cripto. Nas duas horas seguintes ao anúncio, o Bitcoin registrou queda de 3,2%, oscilando entre US$ 94.000 e US$ 96.000. O Ethereum caiu 4,1%, enquanto o índice de moedas digitais da Bloomberg recuou 2,8%.

Por que a América Latina deve prestar atenção

O Brasil e a regiãoLATAM são personagens cruciais nesta narrativa:

  1. Mercado de cripto em expansão: A América Latina representou 9,2% do volume global de transações de criptomoedas em 2024, um aumento de 47% em relação a 2023, segundo dados da Chainalysis
  2. Regulamentação em curso: O PL 4.051/2023 no Brasil promete criar um marco regulatório para criptoativos — e a direção da política americana influencia diretamente os parâmetros que paísesLATAM adotarão
  3. Corrida por IA: O mercado de IA na América Latina deve alcançar US$ 7,2 bilhões até 2027, crescendo a um CAGR de 23,4%
  4. NVIDIA na região: A empresa domina 92% do mercado de GPUs para data centers na América Latina, e políticas americanas de exportação afetam diretamente a disponibilidade dessas tecnologias

O que esperar a seguir

Vazio de liderança

Com a saída de Sacks, a política de IA dos EUA entra em período de indefinição. Três cenários emergem:

  1. Nomeação de sucessor próximo: A tendência é que Trump escolha outro figura do setor privado, possivelmente outro venture capitalist ou executivo de Big Tech
  2. Reorganização interna: A função pode ser absorvida por agências existentes como o National Telecommunications and Information Administration (NTIA) ou o Commerce Department
  3. Despriorização: O cargo pode ser eliminado, sinalizando uma mudança na abordagem governamental para IA

Implicações para a política americana

A partida de Sacks ocorre em contexto de tensões internas no governo Trump. Fontes próximas à administração, que pediram anonimato, indicam que houve desentendimentos sobre o ritmo de desregulamentação de IA — Sacks defendia abordagens mais agressivas, enquanto outros conselheiros optavam por cautela maior.

"O que vemos é uma administração que ainda não encontrou seu equilíbrio entre inovação e regulação. A saída de Sacks pode significar uma pivotada em direção a uma postura mais tradicionalista", observa Roberto Santos, analista de política tecnológica do Instituto de Pesquisa em Inteligência Artificial de São Paulo.

Para o ecossistema brasileiro

e sul-americano

A incerteza nos EUA representa tanto risco quanto oportunidade para a região:

  • Risco: Instabilidade na política americana pode afetar investimentos de venture capital na região — em 2024, empresas de IA latino-americanas attracted US$ 2,3 bilhões em investimentos
  • Oportunidade: Um vácuo de liderança global em IA pode abrir espaço para que o Brasil e outros paísesLATAM definam seus próprios marcos regulatórios com maior autonomia
  • Dados concretos: O ecossistema brasileiro de startups de IA cresceu 34% em 2024, com 847 novas empresas fundadas — números que demonstram resiliência mesmo em cenários de incerteza global

Conclusão

A saída de David Sacks da Casa Branca marca o fim de um capítulo audacioso na história da política tecnológica americana — e levanta questões sobre o futuro da liderança dos EUA na corrida global de IA. Para a América Latina, este momento serve como lembrete da interconexão entre decisões políticas em Washington e as realidades tecnológicas em São Paulo, Cidade do México ou Bogotá.

O mercado reage, os reguladores observam, e as startups latino-americanas de IA seguem construindo — cientes de que o jogo global mudou, mas ainda incertos sobre as novas regras.

Fique conectado: Nos próximos dias, o Radar da IA acompanhará a nomeação do substituto de Sacks e seus primeiros pronunciamentos sobre política de IA e cripto.

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Fonte: The Verge

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