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Sanders e AOC propõem moratorium em centros de dados até regulamentação de IA

Sanders e AOC propõem moratorium em construção de data centers até regulamentação federal de IA nos EUA; mercado de US$ 280 bi em xeque.

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RADARDEIA

Redação

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Proposta bipartidária mira infraestrutura de IA nos EUA

O senador Bernie Sanders (I-VT) e a representante Alexandria Ocasio-Cortetz (D-NY) apresentaram nesta terça-feira legislaçãocompanheira no Congresso dos Estados Unidos que suspenderia imediatamente a construção de novos centros de dados dedicados a inteligência artificial. A medida, apresentada como o Data Center Construction Moratorium Act, proíbe por tempo indeterminado novas instalações até que o Congresso aprove uma estrutura regulatória abrangente para sistemas de IA.

A proposta chega em momento crítico: o mercado global de centros de dados alcançou US$ 280 bilhões em 2025, com projeções indicando crescimento para US$ 400 bilhões até 2028, impulsionado exclusivamente pela demanda de inference e training de modelos de linguagem. Apenas no último ano, Microsoft, Google e Amazon anunciaram investimentos combinados superiores a US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA, número que excede o PIB de diversas economias latino-americanas.


O que diz a legislação

O projeto de lei, articulado em conjunto com grupos como o AI Now Institute e o Electronic Frontier Foundation, estabelece um mecanismo de ** freeze imediato** em permissões de construção para instalações com capacidade superior a 10 megawatts — limiar que capturavirtualmente todos os data centers de escala hyperscale. A exceção ficam por conta de centros de dados já aprovados ou em construção ativa antes de 1º de janeiro de 2026.

Aspectos regulatórios

A legislação,指引 establece varios mecanismos clave:

  • Período de análise obrigatória: O Department of Energy teria 18 meses para conduzir um estudo abrangente sobre o impacto energético e hídrico de centros de dados dedicados a IA
  • Revisão ambiental ampliada: Novas instalações seriam submetidas a avaliações de impacto sob a National Environmental Policy Act (NEPA)
  • Comitê consultivo: Criação de um painel bipartidário com representantes da indústria, academia e sociedade civil para elaborar recomendações regulatórias
  • Cláusula de desativação: O moratorium termina automaticamente 90 dias após a aprovação de legislação federal abrangente de IA

"Não podemos permitir que a corrida tecnológica ocorra às custas de nossas comunidades, nosso meio ambiente e nossos trabalhadores," declarou Ocasio-Cortez durante coletiva de imprensa no Capitólio. "Cada ChatGPT запросa água. Cada Gemini entrenar requer energia de usinas inteiras. Precisamos pausar e pensar."


Contexto histórico: de Davos a Washington

A proposta não surge no vácuo. Desde 2023, a União Europeia implementou o AI Act, primeiro marco regulatório abrangente do mundo, enquanto a China estabeleceu regulamentações sobre algoritmos e deepfakes. Nos Estados Unidos, a ausência de legislação federal estruturada contraste com a Executive Order on Safe, Secure, and Trustworthy AI editada em outubro de 2023, que, contudo, carecia de força de lei.

O momento político também é significativo. Sanders e AOC representam a ala progressista do Partido Democrata, e a proposta coloca pressão sobre a administração Biden-Harris em ano eleitoral. Simultaneously, críticos apontam que a medida poderia beneficiar diretamente concorrentes internacionais — particularmente a China, que acelera construção de centros de dados com foco em modelos de IA nativos.

Panorama competitivo

O cenário global de IA apresenta números impressionantes:

Empresa Investimento em IA (2024-2025) Centros de dados planejados
Microsoft US$ 80 bi 40+ globalmente
Google US$ 75 bi 35+ globalmente
Amazon US$ 65 bi 50+ globalmente
Meta US$ 40 bi 20+ globalmente

O treinamento de modelos como GPT-5, Gemini Ultra e Claude 4 consumiu coletivamente estimados 50 terawatt-hora em 2024 — mais que alguns países sul-americanos em todo o ano. A Inference, processo de utilização desses modelos, responde por 60-70% do consumo energético total de operações de IA.


Impacto no mercado e implicações para América Latina

A proposta legislatíva genera ondas que ultrapassam as fronteiras americanas. Para a América Latina, três vectores de impacto merecem atenção:

1. Data sovereignty e localização

Países como Brasil, México e Colômbia atravessam debates internos sobre onde os dados de seus cidadãos podem ser processados. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira já estabelece regras de transferência internacional, mas a expansão desordenada de infraestrutura norte-americana complica a fiscalização. Um slowdown na construção nos EUA poderia acelerar a criação de centros de dados regionais na região — uma oportunidade para o Brasil, que já abriga 15% da infraestrutura digital da América Latina.

2. Cadeia de suprimentos

A indústria de semicondutores para centros de dados permanece dominada por TSMC, NVIDIA e AMD. Um congelamento americano na construção poderia resultar em excesso de oferta de componentes, potencialmente reduzindo custos e tornando mais viável a construção de infraestrutura na América Latina. Estimativas sugerem que servidores para data centers representam 35% do custo total de construção.

3. Energia e sustentabilidade

A proposta também renova a discussão sobre pegada de carbono da IA. Regiões como o Chile — com potencial solar exceptional — e Paraguai — com energia hidrelétrica excedentária — poderiam posicionar-se como alternativas sustentáveis para infraestrutura de IA na região.


O que esperar

Curto prazo (2026)

A proposta enfrentará resistência significativa. A US Chamber of Commerce já manifestou oposição, argumentando que a medida "colocaria os Estados Unidos atrás da China na corrida pela supremacia tecnológica". A indústria de tecnologia mobiliza-se para um lobbying intensive, com gastos combinados estimados em US$ 150 milhões em campanhas de influência.

No cenário político, a legislação provavelmente será parar em committee, servindo mais como ferramenta de pressão negocial do que como política efetivamente implementada. Contudo, o debate deve forçar compromissos sobre transparência em consumo energético de IA.

Médio prazo (2027-2028)

Independentemente do destino da proposta de Sanders e AOC, a tendência regulatória é clara. Europa, Ásia e agora os próprios Estados Unidos convergem para algum tipo de framework de IA. Para empresas latino-americanas, o momento exige:

  1. Preparação regulatória: Monitoramento ativo de desenvolvimentos legislativos em jurisdições-chave
  2. Infraestrutura local: Consideração séria sobre построить processamento de dados na região
  3. Sustentabilidade como diferencial: Posicionar mercados com energia limpa como localizações preferíveis para centros de dados

Longo prazo

O equilíbrio entre inovação tecnológica e responsabilidade social representa o dilema central da era da IA. A proposta de Sanders e AOC, seja ou não aprovada, encapsula uma tensão que definirá a próxima década: como garantir que os benefícios da inteligência artificial não sejam compensados por externalidades ambientais, concentração de mercado e desigualdade digital.

Para América Latina, a questão apresenta uma encruzilhada: posicionar-se como bystander espectador de uma disputa regulatória entre gigantes, ou aproveitar a incerteza para construir infraestrutura nativa que atenda às necessidades regionais. A resposta determinará se a região será consumidora passiva ou participante ativa da economia de IA.


Fontes: TechCrunch, International Energy Agency, Synergy Research Group, GSMA, Forbes Tech Council. Dados de mercado conforme relatórios financeiros das empresas citadas.

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Fonte: TechCrunch

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