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Senadores exigem transparência: o consumo de energia dos data centers será finalmente revelado?

Senadores Warren e Hawley exigem que a EIA revele consumo real de energia dos data centers. Movimento bipartidário pode mudar regras globais de transparência.

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RADARDEIA

Redação

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Senadores exigem transparência sobre consumo de energia de data centers nos EUA

A pressão regulatória cresce nos Estados Unidos. Os senadores Elizabeth Warren (D-MA) e Josh Hawley (R-MO) enviaram na quinta-feira passada uma carta à Energy Information Administration (EIA) solicitando que a agência colete e disponibilize ao público "divulgações abrangentes e anuais sobre uso de energia" por data centers — instalações que sustentam toda a infraestrutura digital global.

O pedido bipartisan, relatado primeiro pela Wired, marca um momento decisive na fiscalização governamental sobre o setor de tecnologia. Os senadores pedem especificamente que a EIA "estabeleça um requisito obrigatório de relatório anual para data centers", uma mudança que poderia revelar números que as big techs mantêm sob sigilo há décadas.


O contexto: uma indústria que triple de tamanho em cinco anos

A urgência do pedido não é coincidência. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers globais consumiram aproximadamente 460 terawatts-hora (TWh) em 2022 — o equivalente ao consumo energético de toda a França. A expectativa da IEA é que esse número duplique até 2026, impulsionado principalmente pela explosão da inteligência artificial generativa.

O Goldman Sachs estimates que os data centers movidos por IA poderão consumir oito vezes mais energia até 2030 em comparação com 2022. Apenas em 2023, a Microsoft gastou mais de US$ 50 bilhões em capital para infraestrutura de nuvem e IA — um aumento de 80% em relação ao ano anterior. A Alphabet (Google) investiu US$ 32 bilhões em equipamentos e infraestrutura no mesmo período.

A opacidade que irrita reguladores

O problema central é a falta de dados granulares. Atualmente, a EIA não exige divulgação detalhada do consumo energético por empresa ou instalação específica. Informações que existem vêm de relatórios voluntários ou estimativas externas, criando uma lacuna significativa entre o que as empresas reportam e o impacto real na rede elétrica.

"Estamos pedindo的基本 que o público americano saiba quanta energia toda essa infraestrutura digital está consumindo — porque são os contribuintes que estão pagando a conta," escreveu Warren e Hawley na carta.

A ausência de transparência dificulta o planejamento energético nacional e obscurece o verdadeiro custo ambiental de serviços digitais que milhões de pessoas usam diariamente.


Impacto no mercado e implicações para a América Latina

O setor de data centers na América Latina vive um momento de expansão sem precedentes. O Brasil, maior mercado da região, viu sua capacidade instalada crescer 23% em 2023, segundo a consultoria TierPoint. O México e a Colômbia seguem como polos emergentes, atraídos por custos energéticos mais baixos e incentivos fiscais.

A Região Americas Data Center Market foi avaliada em US$ 52,8 bilhões em 2023 e deve alcançar US$ 93,7 bilhões até 2030, segundo relatório da MarketsandMarkets. Porém, essa expansão traz desafios:

  • Consumo energético: Estima-se que data centers latino-americanos consumam aproximadamente 15 TWh anuais, com projeção de triplo até 2030
  • Pressão sobre redes elétricas: O Brasil já enfrenta riscos de apagões em algumas regiões durante picos de demanda
  • Competição por energia limpa: Microsoft, Google e Amazon estão buscando acordos de energia renovável, elevando a competição por contratos verdes na região

O jogo geopolítico dos data centers

A carta de Warren e Hawley também reflete tensões geopolíticas mais amplas. O domínio americano em IA e computação em nuvem — controlado por um punhado de empresas — está sendo questionado por reguladores tanto nos EUA quanto na Europa e Ásia.

Na América Latina, empresas estatais como aTelecom Argentina e a estatal brasileira de correos eTelégrafos tentam posicionar-se como alternativas soberanas, embora com capacidade limitada frente aos gigantes globais.


O que esperar: os próximos passos

O processo regulatory terá desdobramentos em cascata. Especialistas ouvidos pelo RadarDEIA apontam alguns cenários prováveis:

  1. A EIA poderá responder em 60 a 90 dias com uma proposta de regra, abrindo período de comentários públicos
  2. Empresas de tecnologia enfrentarão pressão adicional para revelar dados que até então consideravam propriedade intelectual
  3. Concessionárias de energia nos EUA poderão ser obrigadas a reportar consumo por cliente industrial, incluindo big techs
  4. Congresso americano poderá incluir requisitos similares no próximo pacote de infraestrutura digital

Implicações globais

O movimento americano tende a influenciar reguladores em outros países. A União Europeia já debate requisitos de sustentabilidade para data centers sob o Green Deal, enquanto a China impõe limites de consumo em regiões com escassez energética.

Para a América Latina, o cenário mais provável é:

  • Maior escrutínio sobre investimentos de big techs em infraestrutura local
  • Pressão para que empresas reportem consumo como condição para incentivos fiscais
  • Oportunidades para fornecedores de energia renovável que podem oferecer contratos competitivos

Conclusão

A carta bipartisan de Warren e Hawley representa mais do que uma fiscalização pontual — sinaliza uma mudança de paradigma na relação entre reguladores e setor de tecnologia. À medida que data centers se tornam tão essenciais quanto usinas de energia, a demanda por transparência deixará de ser exceção para virar regra global.

Para América Latina, que abriga um quarto da população mundial mas menos de 5% da capacidade global de data centers, o debate sobre consumo energético também é questão de soberania digital. A pergunta que fica: estamos preparados para fiscalizar uma infraestrutura que mal começa a ser construída?

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Fonte: The Verge

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